quarta-feira, 13 de março de 2013

Sindpol denuncia situação precária na Polícia Civil de Montes Claros

Sindicato diz que 80% dos investigadores fazem serviços administrativos. Delegado regional contesta declarações e diz que o dado não é verdadeiro. 

Do G1 Grande Minas



"A situação da Polícia Civil de Montes Claros está precária. No IML o reboco está caindo do teto, não há sistema de refrigeração e a câmara onde fica os corpos não funciona há sete anos". A declaração com tom de denúncia partiu do diretor regional Sindipol (Sindicato dos Servidores da Policial de Civil de Minas), Emerson Mota Rocha.
 
Segundo o Sindipol, câmara de resfriamento que
acondicionaria corpos não funciona há sete anos.
(Foto: Emerson Mota Rocha/Sindipol)
Segundo Sindipol, câmara de resfriamento não funciona há sete anos. (Foto: Emerson Mota Rocha/Sindipol) Segundo ele, os corpos de pessoas não identificadas precisam ser enterrados em covas rasas, quando o correto seria conservá-los na câmara de refrigeração. O Instituto Médico Legal (IML) funciona em um espaço cedido pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), há 13 anos, e atende 90 cidades da região Norte de Minas Gerais.

Rocha também revela um grave problema nas investigações dos crimes. Segundo o diretor regional do Sindipol, na cidade há cerca de 100 investigadores, porém pelo menos 80 estão empenhados em serviços administrativos. "A demanda é alta demais e [os investigadores] não dão conta de atender os serviços. Isso acarreta em inquéritos mal confeccionados, mal apurados e a Justiça não tem fundamentação bastante para julgar com qualidade", protesta.

Ainda de acordo com Emerson Mota Rocha, "a instituição está sucateada e não consegue desenvolver a contente o seu papel". Uma enchente causada pelas fortes chuvas que caíram em Montes Claros no mês de janeiro deste ano inundou a delegacia da Polícia Civil na avenida Vicente Guimarães, região Sudeste da cidade. Na ocasião, 25 viaturas foram danificadas e, segundo Rocha, ainda não foram recolocadas. "O primeiro andar do prédio também está desativado. Vários setores da polícia estão instalados precariamente nos outros dois pisos do prédio", explica.
Polícia Civil contesta declarações do Sindipol
 
Delegado regional rebate acusações do Sindipol.
(Foto: Michelly Oda / G1)
O chefe da delegacia delegacia de Homicídios diz que 68 pessoas já foram presas pelo crime (Foto: Michelly Oda / G1) O delegado regional da Polícia Civil, Giovani Siervi, disse ao G1 que  atualmente não há nenhum corpo no IML pendente de liberação. "Os corpos chegam, são necropiciados e liberados. Não existe demanda de permanência". Segundo Siervi, foi feita uma licitação e até o meio do ano uma câmara frigorífica com capacidade para seis corpos será instalada no posto médico legal.

De acordo com o delegado, também há um projeto de construção do Posto de Perícias Integrado (PPI), em parceria com a Unimontes, onde o posto médico legal  e o setor de perícias funcionarião no mesmo espaço. Não há previsão de início das obras.
Siervi esclarece ainda que o número de profissionais que atuam na investigação propriamente dita é bem superior ao informado pelo diretor regional do Sindipol. "Só no plantão há 15 policiais que trabalham na área de investigação, na Delegacia da Mulher, inaugurada recentemente, são sete, na Delegacia de Homicídios são seis e nas quatro AISP's [Áreas Integradas de Segurança Pública] são 24 investigadores", conta.

Sobre as 25 viaturas danificadas, o delegado regional informa que 18 veículos foram atingidos pela enchente, mas 15 deles já foram consertados; os outros três carros tiveram perda total.

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